terça-feira, dezembro 01, 2015


PG registrou 112 novos portadores da AIDS, 100 estão vivos e 12 faleceram

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    Iniciamos o mês de dezembro com uma importante campanha. Logo no primeiro dia comemora-se a ‘Luta Mundial Contra a AIDS’.  Mas e você, se preocupa? Já fez um teste rápido? Já perdeu o preconceito?
    Aids é uma doença que não tem idade, cara, cor, nem raça. Uma doença preocupante, que muitas vezes, a população não dá a devida importância sobre os cuidados e prevenção.
    Você sabe a diferença entre HIV e a AIDS? As pessoas se perguntam, mas poucos vão atrás para sanar essa dúvida. Pois bem, o paciente pode ser portador do vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e não ter a doença Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS). O portador do HIV pode não apresentar nenhum sintoma e às vezes nem saber que é portador, porém em cada relação sexual, sem camisinha, está transmitindo o vírus. “Já o paciente doente de AIDS apresenta-se com imunidade muito baixa, com vários sintomas e com doenças oportunistas associadas, debilitado, às vezes, já acamado”, diz a médica Infectologista da Secretaria Municipal de Saúde, Sônia Ribas.
    Quando a pessoa é portadora do HIV, o que esta sendo destruído são as células de defesa. A partir do momento que começa essa destruição a imunidade vai caindo. Se a imunidade cair muito, baixando de 200, a pessoa entra na doença AIDS.
    “Existem pacientes com HIV que fazem exames regularmente e as células de defesa não baixam, eles conseguem se manter e não precisam tomar remédio. E tem os pacientes que estão com AIDS, isso quer dizer que as células de defesa baixaram muito e eles acabaram entrando na síndrome”, explica a médica.
    Segundo dados do departamento de epidemiologia, até outubro de 2015 foram registrados 45 casos de HIV de pessoas residentes em Ponta Grossa e 112 pacientes que foram diagnosticadas com   AIDS. Deste número, 70 são homens entre 30 e 39 anos. Com estes novos casos, a cidade totaliza 542 pacientes com HIV e 1.647 com AIDS.
    Em Ponta Grossa existe o Serviço de Assistência Especializada (SAE) que trabalha com tuberculose, hanseníase, HIV, Hepatite e outros serviços de infectologia, por exemplo, a sífilis. Através do Centro de Testagem e Aconselhamento, que trabalha junto com o SAE, são realizados os testes rápidos e os aconselhamentos dos pacientes que procuram o serviço pela primeira vez. O aconselhamento é feito para conscientizar o paciente a se cuidar e não se colocar em situação do risco novamente, para que o comportamento não volte a se repetir. “A partir do momento que foi feito o teste e deu negativo, beleza. Mas é importante saber a situação de risco e se prevenir, pois uma hora ou outra pode dar positivo”, comenta enfermeira do SAE, Kelly Dursky. Todas as pessoas acima de 18 anos podem fazer o teste rápido. De janeiro a outubro deste ano foram realizados 9.536 testes rápidos em Ponta Grossa.
           Todas as Unidades Básicas de Saúde tem à disposição da comunidade os testes rápidos. “Qualquer cidadão que procurar a unidade mais próxima da sua residência espontaneamente poderá fazer o teste. Se o teste der alterado a UBS encaminhará para o SAE para avaliação com especialista”, destaca o coordenador do Programa de DST/Aids, Jean Zuber. O teste é sigiloso, seja no CTA ou nas UBS.
Cada indivíduo que fizer o teste e o resultado for positivo, começa imediatamente o tratamento. Primeiramente a equipe irá realizar o exame de CD4, que mede a defesa do organismo e a carga viral (número de vírus que encontram-se no corpo). Com esse exame é possível saber como o paciente está, se a imunidade está boa ou ruim e como está o número de carga viral. “Têm pacientes que ficam com a carga viral muito alta, e quanto mais vírus ele tiver, mais células de defesa serão destruídas e a imunidade cai muito”, esclarece Kelly.
    Feitos os exames, começa a medicação. A consulta com o médico infectologista é marcada na mesma semana. O profissional médico avalia o individuo, orienta e inicia o tratamento. São várias as opções de medicação para o HIV e elas são indicadas de acordo com o perfil de cada paciente. A medicação é disponibilizada pelo Ministério de Saúde. “O paciente que tomar a medicação corretamente, tiver uma alimentação saudável, praticar exercícios, evitar bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, terá vida normal. A única e mais importante orientação para as pessoas soro positivas é ter relações sexuais com camisinha, fora isso, a vida segue no fluxo natural”, destaca a doutora Sônia.
    O tratamento é oferecido na integralidade, porém em alguns casos há pessoas que não aceitam o tratamento, e infelizmente o serviço não pode obrigar o paciente. “Se a pessoa falar que não quer que o serviço, ninguém poderá obrigá-lo, não posso ligar, não posso ir atrás da pessoa”, comenta Kelly.


Onde o paciente de HIV e AIDS pode fazer o tratamento?
    O paciente de HIV/AIDS pode fazer tratamento onde ele quiser, não necessariamente na sua cidade. Então, nem sempre o número de pessoas diagnosticadas será igual ao número de pessoas que fazem tratamento em Ponta Grossa. “Ainda existe muito preconceito. Alguns pacientes preferem ir para Curitiba e cidades próximas do que fazer o tratamento aqui. Como acontece ao contrário também”, diz Kelly. “Na farmácia do SAE, por exemplo, tem paciente de São Paulo e Santa Catarina, que vem apenas para buscar os medicamentos”, comenta a farmacêutica, Adriana Antunes. O SAE atende todas as cidades da 3ª Regional de Saúde, consultas e medicação são fornecidas por Ponta Grossa também.
    A farmácia do SAE tem cadastrados, 1284 pacientes ativos que retiram medicação em Ponta Grossa. Estima-se que cada pessoa já teve relação sexual com pelo menos quatro, e essas quatro com mais quatro e assim por diante. “Se formos analisar, cada vez que um cidadão tem relação sexual sem camisinha ela esta se submetendo a um risco direto alto”, comenta Adriana.



O que o SAE disponibiliza aos pacientes em tratamento?
    O SAE oferece o suplemento alimentar para quem tiver indicação médica, vale transporte para consultas e exames, grupos de apoio, dentista, psicólogo, fisioterapia, ambulatório de feridas, serviço social, visita domiciliar com equipe multidisciplinar e nutricionista.
    Trabalha em parceria com as Organizações Não Governamentais (ONGs), Reviver e Renascer, onde o paciente pode ser encaminhando pelo SAE, ou procurar o serviço por demanda espontânea. “Na ONG Reviver existem grupos de adesão ao medicamento e grupos que trabalham com as famílias, com psicólogo, assistente social e atividades de artesanato”, comenta a Assistente Social, Cláudia Maria da Silva.
    Já com a ONG Renascer a parceria é de outra maneira, são realizadas as testagens rápidas à noite em garotas de programa e exames preventivos.


Descobri que estou grávida e sou soro positivo
A equipe faz todo o acompanhamento da gestante. O médico avaliará a necessidade de trocar o remédio ou não. Se fizer o pré-natal conforme orientado, ela terá uma gestação normal e quando estiver na maternidade, para dar à luz, receberá a medicação adequada também. “O bebê terá o acompanhamento da Infectologia Pediátrica do SAE”, diz Kelly.
A gestante, além do pré-natal no Centro Municipal da Mulher, recebe acompanhamento mensal na infectologia e uma consulta com a infecto pediatra para orientações prévias ao nascimento da criança. “Após o parto a mãe retorna ao SAE para rotina dela e do bebê”, salienta Sonia.
É importante destacar que, se a mãe fizer tudo direitinho, tomar os remédios conforme prescrição médica durante a gestação, a criança não terá AIDS. “É feito um exame no bebê quando ele completar 18 meses, se o exame der negativo, a criança não tem AIDS”, ressalta a enfermeira.


Fonte: Imprensa /PMPG



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